Tem sido bonito crescer
Me descobrir depois de todos esses anos e danos tem sido desafiador. Encarar o espelho e se deslumbrar com o que me ocorreu não foi fácil, mas te confesso que estou orgulhosa. Depois de tantas quedas me admira ainda poder levantar e respirar fundo, me admira eu ainda conseguir me manter ereta e esperar a próxima batalha com punhos firmes e joelhos trêmulos. Eu não vou desistir. Sempre soube disso.
Sigo a trancos e barrancos. Os cabelos finos, os joelhos ralados, e as mãos machucadas, mas firme. E com raiva. Comecei a perceber que para vencer, é necessário energia e ambição e comecei a drená-la do meu sentimento de apatia e aversão a essas pessoas que desmazelavam nosso país. Dessas pessoas que vem e vão por nossas vidas, nos tratando como pequenas pedras que podem ser deixadas para trás. Pra te falar a verdade, comecei a ansiar ser dura como o aço e afiada como o frio para cortar qualquer um que se mexesse comigo. Eu precisava aguentar, qualquer que fosse a batalha, tamanha fosse a dor.
E amor, eu aguentei. Ainda aguento. Ainda reclamo de tudo, ainda estou terrivelmente cansada, mas inteira. Ainda fiel a mim, ainda ereta em meu lugar. Daqui nada me tira ou atormenta. Nenhuma reza foi suficiente para me fazer recuar. Eu ainda almejo avançar diante da guerra eminente que é crescer, mesmo que a pequenos passos, mesmo que a sôfregos suspiros de exaustão. Tem sido intenso crescer, e dolorido também. Mas bonito.
Mariana Ravelli
Sempre tem alguém pra me dizer que estou falando muito alto ou que não preciso ser tão incisiva, mas a verdade é que o tempo passa e eu continuo ficando mais ácida e as pessoas mais chatas. Não gosto de barulho, não gosto de gente. Gosto de chás e cachorros fofinhos. Não toque no meu cabelo.
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